1 de jul de 2011

Mulher boazinha...




Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo,
pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos,
sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente,
e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter
e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso,
da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador
e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho:
manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades
nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência,
seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível,
nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock. 
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho,
rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas,
enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que
deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil:
somos atrizes, estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos:
são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha,
mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras,
persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.
                                             Martha Medeiros
 "À todas as mulheres "boazinhas" um ótimo  dia...
e que cada homem valorize a sua mulher 
como tem que ser e merecidamente..."
Beijinhos no coração!

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